domingo, setembro 12, 2010

meu umbigo, meu quintal

As notícias lidas nos jornais riopretenses obedecem a um padrão basicamente sazonal: de verão em verão, os números da dengue entopem as estatísticas – e por que não também os postos de saúde? A estatística que mais preocupa, porém, caminha em paralelo e não precisa de jornal ou órgão oficial para veicular. Quantas pessoas conhecemos que estão com, ou pelo menos tiveram dengue em tempos recentes?

Pais, tios, primos, vizinhos, colegas de escola, de trabalho, todos juntos, um de cada vez. Espantoso e irônico, dada nossa vaga idéia de “epidemia”. Parece que o termo foi cunhado especialmente para ser usado em situações distantes, nas quais o melhor refúgio contra a doença seria nossa própria casa. Pois é ali mesmo, no nosso estimado quintal que o vetor da dengue procria, e a partir dali se espalha, restringindo a zero nossa zona de porto seguro.

Cabe a nós levar a sério tudo aquilo que os meios de comunicação exaustivamente rezam nas campanhas de prevenção, e muito mais importante, passar a ter consciência de que nossa casa, nossa escola e nosso local de trabalho podem – e devem – ser palco de ações diretas de nossa parte contra o avanço do mosquito. Ações que não devem esperar as 900 pessoas que andam por aí removendo criadouros e espalhando nuvens de veneno. Nós, eu e você, devemos olhar agora para nossos próprios umbigos. Nossos próprios quintais.